Fazer projeções é difícil, especialmente sobre o futuro. Esta frase irônica do físico Niels Bohr deveria servir de alerta para os economistas que projetam o valor do real em relação ao dólar. Quer ver como e porque errei feio faz menos de um mês? A cotação de uma moeda, como já comentei em dois posts, depende basicamente de fatores macroeconômicos internos (inflação, reservas internacionais, balanço de pagamentos, déficit fiscal), externos (taxa de juros dos Estados Unidos e Europa, crises e guerras), e dos cenários políticos locais.Problemas nestes três cenários é que derreteram o valor do peso argentino, e colocaram as moedas dos países emergentes (Turquia, Índia, Brasil, entre outros) em uma verdadeira montanha russa (com o perdão do trocadilho bélico).Em 2019, no início do governo Bolsonaro comprávamos um dólar por 3,86 reais. Na última terça-feira (10/05), subiu para 5,13 reais, isto após batermos 5,90 (maio/2020) e ter caído a 4,74 em março. De forma simplista, podemos dizer que esta verdadeira montanha russa teve dois componentes:- Externo: Covid e seus efeitos na inflação e insegurança.- Interno: Perspectiva (medo) do mercado de descontrole fiscal do governo, com medidas populistas do executivo e do legislativo.Lá por fevereiro, era possível prever uma estabilização em torno de 4.70 reais, rebaixada para 4,60 em abril. Sem nenhuma pretensão de suceder a Nostradamus, cravei estes dois valores como apostas em posts no LinkedIn.Não faltaram likes e comentários me acusando de espalhar profecias infundadas. Realmente errei ao apostar nos 4,60, mas nos dois posts fiz uma ressalva: O valor apostado poderia ser afetado por um aumento mais abrupto da taxa de juros dos EUA e/ou por medidas economicamente irresponsáveis do governo brasileiro.Os quase 8% de variação desde abril, foram provocados basicamente pelo aumento da expectativa da inflação mundial, causada pela invasão da Ucrânia, que levou a um aumento radical (para os padrões do FED – Banco Central dos EUA) de 0,5% na taxa de juros. Juros maiores nos EUA, somados à insegurança da guerra, causam uma fuga para o porto seguro de uma moeda de reserva como o dólar. O relatório Focus do Banco Central é uma das fontes usadas para projeções e apostas dos bancos, corretoras de câmbio e investidores. O desta semana não foi divulgado pela greve dos servidores públicos, mas a anterior sinalizava um valor médio de 5 reais para comprar um dólar. O que parece ser uma aposta sensata poder sofrer alterações bruscas rapidamente (a popular volatilidade) devido a uma reação em cadeia de escalada na Guerra na Ucrânia, que provocaria uma aceleração da inflação (aumento petróleo, gás e alimentos), que levaria a um aumento ainda mais dos juros nos Estados Unidos.Quem se atreva a fazer alguma previsão?#ismarbecker #economia #inflação #câmbio #juros #Dólar #cenários #incertezas



