Vou contar uma história inusitada, que só posso contar porque a empresa citada já não existe mais, além do meu eventual delito já ter prescrito. Tem sangue frio para ler?Em mais de 20 anos, viajando por todo Brasil e por mais de 70 países, tive pouquíssimos problemas com malas perdidas, roubos ou de perder voos (somente dois). Um deles teve um desfecho muito pitoresco.No final dos anos 90, estava retornando de Santa Cruz de la Sierra para São Paulo, em um voo da Varig. Fiz o check-in com muita antecedência e fui para uma lanchonete próxima do portão do embarque, e para gastar os últimos Bolivianos, comprei duas latinhas da cerveja Paceña, acendi meu cachimbo (sim nesta época era permitido fumar) e peguei um livro.Depois de mais de meia hora, ouço um anúncio de última chamada de voo para São Paulo. Fui correndo para o Gate, mas quando cheguei lá, o finger já estava longe do avião. Tentei argumentar que não chamaram o voo, mas a resposta do funcionário da Varig foi contundente: senhor Becker, o voo tem 93 passageiros, 92 embarcaram. Aparentemente, game over para mim!Para piorar, o voo do dia seguinte estava lotado. Com uma dose extra de estoicismo perguntei onde podia pegar minha mala. O mesmo funcionário informou: ela foi no voo para São Paulo. Bingo! Tive um estalo, pedi para falar em privado com o funcionário, e lembrei ele que despachar uma mala sem o passageiro estar no voo é uma quebra grave de regras de segurança, e que ele seria demitido se eu denunciasse o fato a empresa e a polícia.Para evitar um infarto, prontamente propus um acordo. Mediante a um lugar no voo do dia seguinte, uma estadia no Los Tajibos, melhor hotel de Santa Cruz, jantar, traslado para o hotel e de retorno para o aeroporto e uma pequena verba para comprar artigos de primeira necessidade, eu esqueceria o incidente.O que você acha que aconteceu? #ismarbecker #viagens #carreiras #empreendedorismo #negócios #viagens #oportunidades



