Post RESERVA DE MERCADO INFORMATICA 1911

Foto de Por Ismar Roberto Becker
Por Ismar Roberto Becker

Uma das pouquíssimas ações que reuniram direita e esquerda durante os governos militares foi a Política Nacional de Informática, que ficou conhecida como Reserva de Mercado de Informática. Quer saber como um Don Quixote catarinense lutou contra ela nos Estados Unidos?
Em 1984, o governo do presidente João Figueiredo praticamente proibiu a importação de hardware e software. O objetivo era desenvolver a indústria nacional. O que conseguiu foi criar um grande cartório para alguns amigos do Rei, que encheram as burras de dinheiro, cobrando um absurdo por produtos pirateados. Em 1987, os EUA abriram uma investigação para selecionar produtos que pagariam pesadas sobretaxas para entrarem no mercado americano, como forma de retaliação a pirataria do DOS da Microsoft. Um destes setores foi o de cerâmica de mesa, que teve suas exportações suspensas por meses. Quase no final de dezembro, participei de uma audiência em Washington representando o setor. Como vi que a linha de defesa do nosso advogado estava sendo rejeitada, achei que a melhor defesa era o ataque. Vejam a repercussão nos principais jornais brasileiros.   
Jornal do Brasil: “Numa viagem disseram-me que eu devia me sacrificar para salvar a política de informática. Mas não me disseram o que vai salvar meus 1.700 funcionários se as sanções inviabilizam minha indústria, disse Ismar Becker, superintendente da Oxford, de São Bento do Sul”.
O Globo: Ismar Becker, que representava uma indústria de canecas de chope e outros artigos de porcelana e cerâmica de Santa Catarina usou outro argumento. Depois de dizer que ele e vários empresários eram contra a política de informática brasileira, que classificou de estúpida, sugeriu que a Casa Branca imponha retaliações somente contra as estatais. Disse que esta é a melhor saída. Vocês conseguirão o que querem, pois atuando contra estas empresas irão mexer no emprego dos militares”.
O Estado de São Paulo: “O depoimento de maior sucesso, que levou muita gente a dar risadas, foi prestado por um brasileiro, superintendente de uma firma que produz conjuntos de pratos, a Oxford. Ismar mostrou aos 12 representantes da administração norte-americana que não adianta taxar o seu produto. Há uma distância muito grande entre o governo e o povo no Brasil. Ninguém se importará com o fechamento da minha fábrica. Foi quando lhe perguntaram o que sugeriria, ele respondeu: simplesmente punindo as estatais. Aí vocês verão como o governo reage”.
Gazeta Mercantil: “A coisa chegou a tal ponto que um empresário brasileiro, Ismar Becker, da Oxford, uma fábrica de cerâmica com 1.700 funcionários, que no ano passado exportou US$ 4 milhões para os EUA, sugeriu sem meias palavras que os EUA punam apenas as empresas do governo do Brasil, de Embraer a Petrobrás. Ele disse que o governo vive em outro país”.  
Alguém sabe o que aconteceu comigo e o resultado da investigação?
#ismarbecker #carreiras #motivação #empreendedorismo #negócios #oxfordporcelanas 

Uma das pouquíssimas ações que reuniram direita e esquerda durante os governos militares foi a Política Nacional de Informática, que ficou conhecida como Reserva de Mercado de Informática. Quer saber como um Don Quixote catarinense lutou contra ela nos Estados Unidos?
Em 1984, o governo do presidente João Figueiredo praticamente proibiu a importação de hardware e software. O objetivo era desenvolver a indústria nacional. O que conseguiu foi criar um grande cartório para alguns amigos do Rei, que encheram as burras de dinheiro, cobrando um absurdo por produtos pirateados. Em 1987, os EUA abriram uma investigação para selecionar produtos que pagariam pesadas sobretaxas para entrarem no mercado americano, como forma de retaliação a pirataria do DOS da Microsoft. Um destes setores foi o de cerâmica de mesa, que teve suas exportações suspensas por meses. Quase no final de dezembro, participei de uma audiência em Washington representando o setor. Como vi que a linha de defesa do nosso advogado estava sendo rejeitada, achei que a melhor defesa era o ataque. Vejam a repercussão nos principais jornais brasileiros.   
Jornal do Brasil: “Numa viagem disseram-me que eu devia me sacrificar para salvar a política de informática. Mas não me disseram o que vai salvar meus 1.700 funcionários se as sanções inviabilizam minha indústria, disse Ismar Becker, superintendente da Oxford, de São Bento do Sul”.
O Estado de São Paulo: “O depoimento de maior sucesso, que levou muita gente a dar risadas, foi prestado por um brasileiro, superintendente de uma firma que produz conjuntos de pratos, a Oxford. Ismar mostrou aos 12 representantes da administração norte-americana que não adianta taxar o seu produto. Há uma distância muito grande entre o governo e o povo no Brasil. Ninguém se importará com o fechamento da minha fábrica. Foi quando lhe perguntaram o que sugeriria, ele respondeu: simplesmente punindo as estatais. Aí vocês verão como o governo reage”.
Alguém sabe o que aconteceu comigo e o resultado da investigação?
#ismarbecker #carreiras #motivação #empreendedorismo #negócios

Compartilhe esse conteúdo:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Email
Twitter
Pinterest