DOIS BRASIS – TRÊS CENÁRIOS

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Por Ismar Roberto Becker

O Brasil terminou o domingo passado literalmente dividido. Um lado diz que tem mandato para fazer o que quer. O outro lado diz que a eleição foi roubada. O que podemos esperar dos próximos quatro anos?

Como o cenário político ainda está muito turvo, com negociações de todo tipo em andamento, mais a fuga do candidato derrotado, é cedo para projetar como as abóboras políticas vão se ajustar na carroça do poder Executivo e Legislativo. A batalha será contra o Judiciário, onde não é possível projetar o final do filme de horror.

Vamos projetar cenários que nos permitam responder o que pode acontecer em termos de um ajuste fiscal inevitável.

CENÁRIO POSSÍVEL

A economia é composta por matemática e expectativa. Nos últimos quatro anos, o país gastou mais do que arrecadou, aumentou seu endividamento e o Banco Central teve que aumentar os juros a níveis mortais para os negócios.

Os pacotes de bondades eleitorais aumentarão o rombo. Uma sinalização de vontade política para reduzir os aumentos indexados (aposentadorias atreladas ao salário-mínimo, gastos obrigatórios com saúde e educação), controle dos aumentos inexplicáveis de benefício, especialmente o Benefício de Prestação Continuada e os subsídios para diversos setores, teria um efeito imediato na expectativa do mercado. Isto daria tempo para que os ajustes fossem feitos gradualmente, sem risco de recessão.

CENÁRIO PROVÁVEL

Como o presidente disse que “é preciso parar com essa babaquice de ter que fazer superávit”, o primeiro cenário está praticamente descartado. O que pode acontecer é apresentar um nome com alguma credibilidade junto aos agentes econômicos. Alckmin e o governador do Piauí são dois que estão sendo testados.

Eles causariam um efeito psicológico inicial, como a indicação de Joaquim Levi pela presidenta em 2014, mas teriam uma autonomia de ação limitada pela turma que nega a escassez e pelo verdadeiro ministro da Fazenda: o presidente.

Esta estratégia de morde e assopra exigiria manter os juros altos, levaria eventualmente a uma estagnação econômica, aumentando a dívida pública para perto de 100% do PIB. Chegaríamos em 2030 arranhados, com muitos ficando pelo caminho.

CENÁRIO CATASTRÓFICO

Este cenário seria abrir a caixa de ferramentas heterodoxas, com baixa dos juros na marra, restrição de compra e venda de dólares, teto de juros bancários, metas de câmbio, juros subsidiados. Seria a Nova Matriz Econômica 2.0, levando o governo para outro impeachment.

PROBABILIDADES E BALANÇO

No cenário possível, ganhariam todos. No provável, ganham os ricos e perdem a classe média e os mais pobres. No catastrófico, perdem quase todos os que ficaram no Brasil.

Minha aposta é chance zero para o possível, 70% para o provável e 30% para o catastrófico.

Qual é a sua aposta?

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