A cultura come a estratégia no café da manhã. Pior quando a cultura é dominada por vacas sagradas. Elas comem o futuro no almoço. Como abater as vacas sagradas?
Na Índia, as vacas são sagradas. Ninguém pode abatê-las. Nas empresas familiares, as vacas sagradas controlam posições-chave que abatem o tempo todo e qualquer tentativa de mudança. Vou dar um exemplo real.
MORTE ANUNCIADA
Comprei a Leipold Internacional, na Alemanha, em 2014, após a segunda falência do que foi a maior produtora mundial de decalcomanias para decorar porcelana e vidro. A terceira geração da empresa familiar tinha fábricas na Alemanha, Itália, Espanha, China e Brasil. Quando cheguei, restava um prédio alugado e 34 funcionários. Conseguimos gerar lucro no primeiro ano, mas tínhamos uma dependência muito grande de um cliente.
Para mudar isto, precisávamos abrir novos mercados/clientes com preços mais agressivos. Uns três anos depois, comecei a preparar o soft landing da empresa quando um funcionário-chave me disse:
“Ismar, gostamos de você, mas, se você quiser mudar algo que não entendermos ou com o que não concordamos, vamos boicotar.”
Dois anos depois, terceirizei a produção e demiti todos.
O QUE É CULTURA?
“Cultura é um padrão de pressupostos (crenças) básicos compartilhados, aprendido por um grupo ao resolver seus problemas de adaptação externa e integração interna, que funcionou bem o suficiente para ser ensinado aos novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir.”
Esta é a definição de Edgar Shein que está me ajudando a entender a dificuldade de promover mudanças estruturais em um cliente.
As mudanças geram ansiedade, medo, perda de identidade e prestígio, raiva pela traição ao passado. Isto piora quando algumas mudanças começam a dar certo. Aí fica claro que o modelo anterior não era mais o adequado para a nova realidade. Neste momento, entra na equação das vacas sagradas, a vergonha pelo fracasso e a inveja do sucesso do outro.
Esta resistência não é racional, é uma autodefesa psicológica e material. Não é suficiente mudar um negócio mudando processos. É fundamental quando questiona, muda aquilo que as vacas sagradas dizem que não poder ser sequer questionado, quanto mais mudado.
Quando retomar o trabalho com o cliente, no próximo ano, resumirei o problema de uma forma politicamente incorreta: se não mandarmos as vacas sagradas para o abatedouro, matamos nosso futuro.
Como você abate as vacas sagradas?
Fonte: “Organizational Culture and Leadership” – Edgar Schein
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