Trump está desorganizando a ordem global, deixando um vácuo no lugar. Quer saber como isto nos afetará?
As consequências das ações do governo Trump em 2025 foram sentidas ao longo do planeta, até nas Ilhas Heard e McDonald, habitadas somente por pinguins, que tiveram exportações inexistentes sobretaxadas. As idas e vindas das tarifas provocaram um caos no mercado global. O custo maior, contudo, será pago pelo consumidor americano, que importa muito do que consome. Nove entre dez economistas afirmam que a reindustrialização dos EUA é impossível, até porque os jovens americanos não querem trabalhar em linhas de produção.
Até pouco tempo, muitos acreditavam que o fenômeno Trump era uma onda passageira. Com o passar do tempo, vai ficando claro que se trata de uma mudança estrutural que pode continuar após o fim do mandato de Trump. Os EUA deixaram definitiva e deliberadamente a liderança mundial, deixando de ser o grande fiador da Ordem Liberal do pós-guerra.
Neste processo, antigos aliados são transformados em vassalos. Aproveitando este caos, a China inunda o planeta com produtos dumpeados (preços abaixo do custo) e usa as terras raras e as matérias necessárias para a energia limpa como armas.
O último movimento desta mudança estrutural foi a divulgação da “National Security Strategy”, que teve como destaque as relações com a Europa e a América Central e do Sul.
EUROPA
Ficou claro que terá que pagar a conta da sua defesa, além de ser acusada de ter um déficit de confiança civilizacional, pelas políticas migratórias, que inundaram o continente com imigrantes que não querem se adaptar à cultura europeia. Os europeus que se rebelam contra esta invasão são condenados como radicais, que não respeitam direitos humanos.
AMÉRICA CENTRAL E DO SUL
A Doutrina Monroe (América para os americanos) voltou para deixar claro que o continente é a prioridade estratégica na segurança interna dos EUA. Migração descontrolada, tráfico de drogas e influência chinesa serão duramente combatidos. As operações na Venezuela e interferências nas eleições na região não são fotos isoladas.
BRASIL
A recente “química” entre os dois presidentes, longe de ser resultado da diplomacia brasileira, tem tudo a ver com esta nova estratégia. No curto prazo, a família “B” passou para um segundo plano. A gota (ou balde) de água nos delírios do autoexilado filho 03, tirar o ministro do STF sem cobertura capilar das sanções da Lei Magnitsky.
Seguindo a lógica (sic!) trumpeana, resta saber o preço que será cobrado em termos do peso dos investimentos da China no Brasil, nas relações com Venezuela, Cuba e Nicarágua, no controle do tráfico de drogas.
O Brasil ganha ou perde?
Fonte: “The Wolf-Krugman Exchange” — Financial Times; “The Fear and Weakness at Heart of Trump’s Strategy” — Kori Schake — Foreign Affairs Interview.
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