Fazer parte da manada é fácil. Pensar, exercitar a liberdade, é difícil. Por que uma maioria está se tornando uma massa?
“Suas publicações são bizarras. Ineptas. Falaciosas. Você é massacrado nos posts. Por sinal, nenhuma publicação, case, artigo. Paga de intelectual e não passa de um coach mequetrefe.”
Este foi um dos bem (sic!) fundamentados comentários que recebi no LinkedIn. A autora se apresenta como docente de ensino superior. Chamou minha atenção por vir de alguém que diz ter cinco graduações e quase uma dúzia de pós-graduações. Desde já, agradeço a missiva da docente (ou seria discente?), pela inspiração para este post, sobre o empoderamento dos ignorantes. Como não tenho todas as qualificações (sic!) da discente, busquei ajuda em dois grandes mestres.
“As mídias sociais deram o direito de falar a legiões de imbecis que antes falavam só no bar, depois de um copo de vinho, sem prejudicar a coletividade.”
Segundo Umberto Eco, autor da frase, surgiram os invasores de palco, que não querem discutir um tema, só bloquear uma discussão racional. Tente escrever sobre a taxa Selic, sobre vacinas, sobre déficit fiscal, sobre urnas eletrônicas, e você receberá comentários do nível da discente que me atacou.
Este problema, contudo, não veio com as mídias sociais. Faz quase 100 anos, que José Ortega y Gasset, criou em “A rebelião das massas” a figura do homem-massa, que seria um personagem fruto do progresso da época, mas sem uma disciplina intelectual.
O homem-massa, que pode também ser mulher, como vimos no fundamentado (sic) comentário da discente, tem as seguintes características principais, algumas adaptadas ao Brasil atual:
– Opina sobre tudo, sem fundamentar nada, repetindo mantras vindos de gurus que segue.
– Defende um Estado hipertrofiado, que lhe permita viver sem esforço.
– Vive em tribos que se retroalimentam com as mesmas verdades absolutas.
– Vive buscando satisfação imediata/automática.
– Confunde acesso com mérito.
– Quer direitos, sem nenhum dever.
– Substitui conhecimento por opinião.
– Despreza conhecimento e eloquência.
– Defende uma identidade coletiva, definida pelo líder máximo.
Como você convive com homem/mulher-massa?
Fonte: “A rebelião das massas” – José Ortega y Gasset.
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