INVENTARAM JESUS EM 325

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Por Ismar Roberto Becker

Muita calma nessa hora. Não me crucifiquem antes de ler o texto. Peguei uma carona na visita do Papa Leão XIV à Turquia. Quer mais detalhes para me crucificar ou absolver?

Faz tempo que queria escrever sobre a primeira reunião ecumênica da Igreja Católica, realizada em Niceia no ano 325. A visita do Papa a Iznik, nome atual de Niceia, me deu o gancho. Vamos aos fatos, que desagradarão alguns, mas podem inspirar outros a pensar melhor o Brasil.

CONCÍLIO DE NICEIA

Até 325, não havia uma Igreja Católica unificada. Cada região, cada bispo, interpretava verdades segundo sua crença ou conveniência. A maior controvérsia era sobre Jesus. Para Atanásio, diácono de Alexandria, Jesus era da mesma substância de Deus, era parte dele. Homoousios era a palavra grega para mesma substância. Para Ário, presbítero de Alexandria, Jesus era sublime, mas não consubstancial ao Pai. No fundo, a disputa era sobre quem teria mais autoridade teológica e, consequentemente, poder.

IMPERADOR CONSTANTINO

Constantino conseguiu controlar as disputas internas do Império Romano e via no catolicismo, em acelerado crescimento, uma ameaça e uma oportunidade. A ameaça era que uma religião fragmentada, que Ário defendia, criaria líderes locais que ameaçariam o poder de Roma. Por outro lado, adotando os conceitos de Atanásio, haveria uma unidade ideológica que poderia ditar normas e regras para tudo e todos.

Para discutir (sic!) as divergências, Constantino convidou mais de 200 bispos para uma reunião (Concilio) em Niceia, financiada e presidida por ele. Ao final de 4 meses, ganhou a proposta de Atanásio. Ário foi declarado herege, seus escritos queimados, foi expulso da igreja, exilado e morreu em condições duvidosas. Qualquer semelhança com a finada URSS ou a Alemanha Nazista não é mera coincidência.

NOVO MODELO

Niceia significou o fim da liberdade e o começo do controle do Estado no catolicismo. Não seriam mais toleradas interpretações, todas as verdades vinham da Igreja/Estado. Quem divergisse era herege, devendo ser severamente punido. Giordano Bruno, Savonarola e Servet pagaram com a vida por questionar as verdades. Galileu Galilei escapou por renegar sua teoria heliocêntrica.

Assim começou o modelo “nós x eles”. Qualquer semelhança com as ameaças à liberdade de pensamento e manifestação do regime progressista (sic!) jurídico que manda no Brasil não é mera coincidência.

E O BRASIL COM ISSO?

Desde 2002, com um pequeno intervalo entre 2016 e 2018, o Brasil foi controlado pelos que defendem as visões nicenas (Atanásio/Constantino) com um poder centralizado, sobre um povo que deve seguir regras. As ideias dos que acreditam em um poder descentralizado, defendidas por Ária, são hereges que devem ser banidos.

De que lado do Concílio de Niceia você está?

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