O FIM DA DEMOCRACIA AMERICANA

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Por Ismar Roberto Becker

Sabe qual a diferença entre um comunista e um fascista? Nenhuma. Os dois têm os mesmos métodos para os mesmos objetivos: prometer segurança em troca de liberdade. Quer ver como isto está acontecendo nos EUA e no Brasil?

Estamos em uma guerra no país. Nossos inimigos estão aqui, não lá fora. Quem discordar pode sair.

Esta foi uma das pérolas (sic) de Trump no discurso para a elite das Forças Armadas dos EUA. As similaridades entre este discurso e de dois presidentes brasileiros não é mera coincidência.

“Existem dentro e fora do país os que trabalham contra o Brasil, são verdadeiros traidores da pátria”.

“Não podemos admitir que a traição venha de gente no país”.

Um chocolate para quem acertar qual dos presidentes é o autor de cada frase.

FASCISMO

No Brasil, para uma minoria, fascista é qualquer um que não concorde com os mandamentos da seita chefiada pelo Aiatolá de Garanhuns. No resto do planeta, é associado aos regimes autoritários de direita. Os esquerdistas não usam o termo nazista, porque têm vergonha do pacto entre Hitler e Stalin.

Madeleine Albright, no livro Fascismo – Um Alerta, argumenta que fascismo não é uma doutrina ideológica, mas um conjunto de estratégias para conquistar e manter o poder. Algumas destas estratégias são a um discurso de medo da oposição, culto/idolatria do líder, enfraquecimento das instituições (vide Pochmann no IBGE), manipulação emocional.

COMO AS DEMOCRACIAS MORREM

Para entender o que está acontecendo nos EUA, na Hungria, na Turquia, em El Salvador e em uma evolução contínua no Brasil, além de ler o livro da Albright, é fundamental ler “Como as democracias morrem” de Levitsky e Ziblatt. O argumento principal deles é que as democracias atuais morrem raramente por golpes militares, mas pelas mãos de líderes eleitos democraticamente. Está é uma das diferenças dos autores das frases sobre os inimigos do Brasil. Um é tão incompetente que tentou um golpe tradicional, enquanto o outro compra apoio com bolsas, meias, gás e energia elétrica. O objetivo dos dois, contudo, é exatamente o mesmo: manter o poder a todo custo.

KRIPTONITA POLÍTICA

O super-homem só podia ser vencido com a kriptonita. O equivalente no fascismo de direita ou esquerda é um inimigo. Sem um inimigo, ele perde a razão de existir. Com seu inimigo condenado, o Aiatolá aproveitou o suicídio político do filho 03 e criou o inimigo da ameaça à soberania nacional. Será interessante conhecer o novo inimigo que o Aiatolá vai criar quando exercitar a química que rolou entre ele e o Trump.

Quais outras características em comum têm os messias e o pai dos pobres?

Fontes: “Fascism: A Warning” – Madeleine Albright; “How Democracies Die”, Steven Levitsky Daniel Ziblatt.

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