A química entre Trump e o Aiatolá de Garanhuns surpreendeu o mundo. Foi química mesmo ou Trump está seguindo seu plano normal de morde e assopra?
Faz nove dias que a pequena delegação brasileira de mais de 110 membros ainda não sabe se Trump abriu um canal de negociação ou tentou atrair seu oponente para uma armadilha.
No discurso na ONU, ele disse que o Brasil aplica tarifas injustas sobre os EUA. Revidou com 50% de tarifas, em resposta às interferências nos direitos e liberdades de cidadãos americanos, à censura, repressão, uso político das instituições de Estado, corrupção judicial e perseguição de críticos nos EUA. Disse que o Brasil vai muito mal e que sem os EUA fracassará.
Nunca antes o Brasil foi tão humilhado em frente aos 193 países membros da ONU.
Após a afronta, Trump elogiou o Aiatolá, dizendo que gostou dele em 39 segundos e só faz negócios com quem gosta. Deu o xeque-mate, convidando para uma conversa. O espanto dos brasileiros na ONU explica por que, nove dias depois, não responderam. Segundo o pseudo Ministério das Relações Exteriores, o presidente está com a agenda lotada, sem dizer com que compromissos.
Enquanto isto, mais de 4 mil pessoas já perderam o emprego, só no setor de móveis e madeira. Será que isto não deveria ser uma prioridade na ocupada agenda de um presidente dito o protetor do proletariado e inimigo da burguesia?
Para ajudar o staff do presidente a sair do dilema (Falo ou não falo?), olhei o livro “Trump: a arte da negociação” e outro que resume sua estratégia em “Pensando grande e chutando o traseiro nos negócios e na vida”. A estratégia é sempre a mesma, com quatro etapas.
- Criar crise: exercendo pressão máxima, mudando as regras do jogo, tornando a situação o mais desconfortável possível para o outro lado, que aceitará qualquer saída.
- Personalizar conflito: dá nome, sobrenome e apelido ao oponente. Desautoriza canais normais (embaixadas, secretarias etc.). Tudo passa por ele, que muda de opinião constantemente.
- Criar uma saída: sempre deixa uma porta aberta para o outro lado sair, mesmo que humilhado.
- Declarar vitória: como levantou muito o sarrafo, pode fazer pequenas concessões e ainda sair como vencedor.
Como ele pediu muita coisa, é difícil saber o quanto quer sair vencedor. Com decisões do STF fora de questão, restam pontos que não comprometem o Brasil: investimentos em terras raras, data center, benefícios para as big techs, redução de alíquotas de álcool e da burocracia para registro de medicamentos.
Como a conversa ainda não aconteceu e deve demorar por medo da equipe, um dos perdedores é ele mesmo. Os grandes perdedores políticos serão o Messias e sua família, descartada por Trump. Setores menores, como móveis, cerâmica e têxtil, seguirão com tarifas altas. A carne dos açougueiros petralhas deverá ser isenta. Não é diplomacia, mas puro negócio, no qual Trump sempre ganha mais que o outro lado.
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