INIMIGOS CONVERSANDO

Foto de Por Ismar Roberto Becker
Por Ismar Roberto Becker

O discurso de Trump na ONU deixou o mundo mais perdido do que cachorro que caiu de caminhão de mudança. O que podemos esperar da surpreendente química entre dois inimigos?

Acordos entre inimigos são comuns na história. Ocorrem quando eles têm um objetivo, ou um terceiro inimigo em comum. Vamos tentar entender o que abriu uma porta para um possível acordo entre inimigos ideológicos como Laranjão e o Aiatolá de Garanhuns.

Hitler e Stalin, dois dos maiores assassinos da história, eram inimigos mortais. Tinham dois objetivos em comum: dividir a Polônia e ganhar tempo para a guerra. Por isso, colocaram Ribbentrop e Molotov, seus ministros, para negociar um pacto de não agressão. A Polônia foi a grama que apanhou na briga dos dois elefantes. O resto é história.

No discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU o Aiatolá de Garanhuns falou o queria, e que seus principais aliados (China, Rússia, Irão, Hamas) não falaram porque o risco político/econômico não justifica. Ele repetiu a cantilena dos atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão. Que existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas. Não entendi se ele acha que Rússia e China são democracias.

O Laranjão detonou a ONU, onde nem as escadas rolantes funcionaram, disse que acabou com sete guerras, colocou o Hamas no devido lugar de organização criminosa, disse que China, Índia e alguns países europeus estão financiando a guerra da Ucrânia.

Sobre o Brasil, disse que o país enfrenta tarifas por tentar interferir nos direitos e liberdades de cidadãos americanos com censura, repressão, corrupção judicial e perseguição a críticos. Concluiu: o Brasil vai mal e continuará assim; só terá sucesso trabalhando com os EUA, caso contrário fracassará como outros já fracassaram.

A Lei de Coulomb diz que cargas opostas se atraem. A estabilidade surge quando um cátion positivo se une a um negativo. O sal (Cloreto de Sódio) só existe porque atração eletrostática do sódio atrai o cloreto. Além da previsibilidade de uma biruta de aeroporto em dia de tempestade do Trump, esta foi uma das explicações que encontrei para justificar a química entre os dois.

Falamos da história da Segunda Guerra, dois narcisistas exasperados de química. Como isso impacta o cenário político, leia-se eleições 2026, antes da conversa que os dois terão?

Mesmo sem reverter tarifas, o Aiatolá parece vencer o primeiro tempo. O deputado conspirador não deve voltar ao Brasil. Se houver aceno dos EUA sobre tarifas, a carreira da família acaba. Governadores pré-candidatos precisam se fingir de mortos e torcer pelo fracasso da conversa dos presidentes. O jogo ficou ainda mais incerto.

Com quais cenários você trabalha?

#ismarbecker #economia #EUA #comex #diplomacia

Compartilhe esse conteúdo:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Email
Twitter
Pinterest