CONSELHOS LUDITAS CONTAMINANDO A IA

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Por Ismar Roberto Becker

A IA está mudando o dia a dia dos negócios. Obviamente, a IA chegou aos conselhos. Será que alguns iluminados conselheiros, de uma casta especial, entenderam esta mudança ou querem retardar seu uso?

Investi um bom tempo para estudar o excelente “Guia Inteligência Artificial para Conselheiros de Administração”, elaborado pela Accenture, Microsoft e IBGC. Deveria ser leitura obrigatória para conselheiros e gestores.

A introdução tem um tom conservador (ou pessimista?) afirmando que “é um tema ainda envolto por muito mais expectativas do que resultados concretos” e que “traz também desafios complexos relativos à governança, riscos e conformidade.” É compreensível. A maioria dos humanos teme o novo.

Após uma linha do tempo da IA e dos conceitos básicos, o estudo foca nos possíveis usos da ferramenta e no papel do Conselho e dos gestores. Até este ponto, parece que dois dos autores tiveram mais peso na redação. A partir do tema Impactos Positivos e Negativos da IA no pilar ESG (não exaustivo), vem o Cavalo de Troia, provavelmente de autoria do terceiro autor.

Embora ele alinhe pontos positivos, a mensagem subliminar é clara ao destacar os aspectos negativos do alto consumo de energia, do uso de metais raros, dos algoritmos prejudicarem grupos vulneráveis (sem especificar quais), de substituir empregos, da privacidade, da dificuldade de regular o uso ético, sem definir se será a ética de Espinosa ou da religião.

Como no próprio título está claro que os pontos listados são “não excludentes”, é perfeitamente possível esperar que logo seja sugerida a criação de Normas ISO para IA, regulamentação, com a devida certificação, de operador de IA, de um Instituto Brasileiro de Governança de IA, que emitirá, mediante uma módica mensalidade, a Carteira Nacional de Habilitação de Uso da IA, a ser renovada semestralmente, já que IA evolui muito rapidamente.

Quando compramos a primeira bicicleta para os filhos, ela vem equipada com rodinhas, além disso, compramos equipamentos de segurança. O objetivo, contudo, é que eles aprendam a andar de bicicleta sem rodinhas. Isto só acontecerá se eles aprenderem com as inevitáveis quedas.

No romance O Leopardo, de Giuseppe di Lampedusa, o príncipe protagonista tem o seguinte diálogo com o filho:

– “Você está louco, meu filho! Meter-se com aquela gente! São todos mafiosos e trapaceiros. Um Falconieri deve permanecer conosco pelo Rei.”

O filho responde:

“Pelo rei, mas por qual rei? Se não nos envolvemos nisso, outros implantarão a república. Se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude!

A história nos ensina que o filho do príncipe fez a aposta certa. O rei foi deposto e começou a república italiana com todos os problemas possíveis.

Você vai apostar na continuidade do reinado da burocracia, da normatização, ou embarcar nos riscos da destruição criativa da IA?

Fonte: “Guia Inteligência Artificial para Conselheiros de Administração” – Accenture, Microsoft, IBCG.

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