Não existe jantar de graça. Pior do que isto. A conta do café da manhã, do almoço e do jantar grátis dos europeus chegou. A matemática venceu. Quer provas?
“O estado de bem-estar social que temos atualmente não pode mais ser financiado”, disse o Chanceler alemão Friedrich Merz. Semanas antes, François Bayrou, primeiro-ministro francês, mostrou que “a dívida pública é um perigo mortal, todo mundo terá que contribuir para enfrentar a crise fiscal”.
A festa do “Gasto é Vida”, do papai Estado pagar tudo, de trabalhar menos e do “krankfeiern” (brincar de ficar doente) acabou. Vamos aos detalhes desta crônica da morte anunciada e dos próximos passos das duas maiores economias europeias.
Alemanha e França são as maiores economias da Europa. A França gasta mais do que arrecada há muito tempo, enquanto a Alemanha foi contida com a “Schwarze Null”, que impedia o endividamento. O sindicalismo radical na França e o cavalo de Troia populista no governo de centro-direita de Merkel levaram ambos ao buraco. O da França é maior e previsível, já o da Alemanha terá impacto maior porque muitos ainda acreditam no milagre pós-guerra. No fundo, o problema é o mesmo.
- Reconhecimento da crise: as declarações dos dois primeiros-ministros apenas confirmam o que já se sabe. O envelhecimento da população, menos trabalhadores e mais aposentados, somados a benefícios sociais maiores, redução da jornada e estabilidade no emprego, inviabilizaram a social democracia do Estado Papai Noel.
- Necessidade de reforma: excluindo os esquerdistas que negam a escassez e acreditam na multiplicação dos pães, os políticos sensatos sabem o que têm que fazer. No curto prazo, nada vai acontecer porque a esquerda nega o problema e a extrema-direita quer que a situação piore para chegar ao poder.
- Cenários: como não há nada tão ruim que não possa piorar, vamos assistir greves violentas na França e debates intermináveis no Bundestag, parlamento alemão, sem nenhuma solução, até as próximas eleições. Sem nenhum milagre, nos dois países devem ganhar regimes populistas de extrema-direita, xenofóbicos, sem um plano realista para enfrentar a dura realidade de que a mudança demográfica de maior expectativa de vida combinada com baixa natalidade, inviabiliza o modelo do Estado de Bem-Estar Social, criado após a Segunda Guerra.
Nesta história toda, como fica o Brasil do Gasto é Vida?
Temos vantagens: caímos de um patamar mais baixo, por isso o tombo será menor. O populismo da pseudo esquerda será enterrado com seu criador, antes que enterre o país. O da pseudo direita é demolido pela incompetência do messias e filhos. Isso abre espaço para uma solução mais simples que a da Alemanha e França. Quais são os cenários que você projeta para nossa terra tupiniquim? Continuaremos dormindo em berço esplêndido, ou veremos que os filhos da pátria não fogem à luta da realidade?
#ismarbecker #Alemanha #França #WelfareState #aposentadorias #DireitosSocias #Populismo



