Marx, Keynes, Piketty tinham razão. O Liberalismo precisa ser profundamente reformado. Vamos ver algumas ideias que aprendemos com a esquerda?
Todo sucesso provoca inveja, principalmente dos fracos que não querem sair da zona de conforto, e, por isso, defendem um Estado protetor cuidando de tudo. Esta é a história do Iluminismo, do Capitalismo e do Liberalismo, que sempre foram atacados pelos pregadores de utopias que nunca se concretizaram.
Estou lendo “Capitalism and Its Critics” que conta a história de pensadores de esquerda cujas ideias foram absorvidas pelo Liberalismo ao longo dos últimos 150 anos. Buscando aprofundar algumas destas ideias, os algoritmos me levaram a uma palestra de Daron Acemoglu (Why Nations Fail), onde antecipa alguns pontos do livro que está escrevendo sobre a Reinvenção do Liberalismo. Vamos ver como seriam estes ajustes no Brasil?
- Limitação do poder: Marx acertou ao denunciar a desigualdade do capitalismo. Errou feio na aposta determinista da luta de classes. Quando escreveu Capital, mais de 90% da população vivia na miséria. Hoje são uns 8%.
- Trabalho na era da IA: as condições de trabalho hoje não têm comparação com as do início da Revolução Industrial. Como as demandas de melhoria são evolutivas (vide Maslow), os desafios hoje são outros. Isto explica parcialmente por que quase 26 milhões de brasileiros trabalham por conta própria. Para muitos que têm carteira assinada, o desafio são os impactos tecnológicos.
- Regulamentação mercado: o modelo do Estado Social, que teve grande influência de Keynes, predomina nas democracias liberais ocidentais. No Brasil, temos uma elite de mais de 12 milhões de barnabés com benefícios impagáveis, e milhões em sistemas de benefício sem controle e sem cláusulas de saída, que funcionam como moeda eleitoral.
- Desigualdade x Democracia: a desigualdade diminuiu em termos gerais, mas alguns poucos concentram um percentual excessivo. Desde que esta riqueza não tenha sido acumulada por monopólios ou benefícios fiscais, não é um modelo de soma zero (eu ganho/você perde).
Nosso modelo político permite a perpetuação do poder político (reeleição e oligarquias) que sequestram partes do Estado, em benefício próprio, além de interferir nas eleições em todos os níveis.
A democracia de livre mercado liberal tem falhas, como todo sistema. A história nos ensina, contudo, que por ser um sistema aberto, com instituições plurais, gera prosperidade e inovação. O risco, como acontece no Brasil, é a captura do Estado, leia-se orçamento pelas elites, que apoiam os Aiatolás ou Messias.
Como podemos aperfeiçoar o liberalismo no Brasil, para que um Estado menor realmente atenda à população?
Fontes: Capitalism and its Critics – A History: From The Industrial Revolution to AI, John Cassidy; Remaking Liberalism with Damon Acemoglu, Wheeler Institute for Business and Development.
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