A extração mineral gera riqueza. Os royalties enchem a caixa do poder público, que gastam, ou investem mal, criando uma zona de conforto. Como alguns municípios de Minas Gerais enfrentarão o fim do minério de ferro?
Para discutir este dilema fui convidado para palestrar no Fórum de Diversificação Econômica de Minas Gerais.
Aprendendo com a história
Os prêmios Nobel de Economia, Daron Acemoglu e James Robinson, criaram o conceito das economias Inclusivas e Extrativas. Com exceção da Noruega, que criou o maior Fundo Soberano do mundo, são poucos os exemplos de países, ou regiões onde uma parte da riqueza das commodities foram reinvestidas, pensando no futuro.
No Brasil, um dos desgovernos petralhas inovou criando um fundo do pré-sal, que gastou antes de receber recursos.
Em Minas Gerais, encontrei uma real preocupação com a geração de alternativas para o fim do ciclo do minério de ferro, no chamado Quadrilátero Ferrífero, que terminará nos próximos 8 a 16 anos. O Fórum é uma iniciativa do setor privado, com apoio do público, para buscar alternativas.
Além do esgotamento das reservas, existe outra ameaça que é o desaquecimento, sendo otimista, da economia chinesa, que é um grande cliente de minério de ferro do Brasil. Invariavelmente a demanda de ferro vai cair, levando junto o preço do minério. Isto pode acelerar a queda da arrecadação de royalties, dos investimentos e empregos.
Condições básicas
Além de tentar conter o populismo do Gasto é Vida, elenquei três condições para criar alternativas de atividades econômicas:
– Geográfica: o relevo, o solo e clima da área limitam certas atividades.
– Cultura e hábitos locais: as atividades da mineração e de apoio tem um mindset, diferente do turismo e indústria. É necessário entender isto, e criar ações de reeducação para as outras atividades.
– Trabalho conjunto iniciativa privada e poder público: alguns dos investimentos não podem ser financiados somente com a iniciativa privada. Fiquei positivamente surpreendido com as manifestações, além de exemplos, de ações em andamento do governo liberal de Minas Gerais. Oxalá o próximo governo mantenha esta linha.
Conselho
Deixei como mensagem final, uma frase que meu saudoso pai usava com frequência: “As glórias do passado não justificam os erros do presente, nem garantem o sucesso do futuro”.
Você tem alguma outra sugestão?
Fonte: Link palestra (a partir de 1h35) https://youtu.be/5JG2WT28TSg; “Minas Gerais busca alternativas à dependência da mineração” – Diário do Comércio https://diariodocomercio.com.br/parceiros-do-futuro/pf-minas-gerais-mineracao/; “Why Nations Fail” – Daron Acemoglu e James Robinson.
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