CULTURA DEFINE DESENVOLVIMENTO

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Por Ismar Roberto Becker

Países, estados e até cidades próximas podem ter níveis de desenvolvimento muito diferentes. O que justifica esta diferença?

Na próxima semana (25/06), farei uma palestra no Fórum Regional de Diversificação Econômica de Minas Gerais, promovido pela FEDERAMINAS. O tema do Fórum é a diversificação econômica dos municípios com forte dependência do extrativismo mineral, que em alguma delas vai acabar no curto prazo.

Na preparação da pesquisa, lembrei de mudanças nos ciclos econômicos com a decadência de regiões produtoras de madeira e erva-mate, no planalto norte catarinense, e da extração de carvão no sul de SC. No outro lado da moeda, a ascensão da agricultura e pecuária no Mato Grosso do Sul. Fora do Brasil, no fim de um dos maiores polos de produção de porcelana no norte da Bavária, na Alemanha, onde fiz estágio no início dos anos 80.

Lembrei do livro ‘Por que as nações fracassam’, que mostra que o principal fator que define o sucesso ou fracasso das nações, ou regiões, é a natureza das instituições políticas econômicas, que podem ser agrupadas em:

INCLUSIVAS: promovem a ampla participação econômica e política, garantem a propriedade privada, estimulam a mobilidade social e econômica, têm um sistema previsível de leis, promovem o pluralismo político e limitam o poder das elites.

EXTRATIVISTAS: onde um pequeno segmento da sociedade se beneficia da extração da riqueza, os direitos de propriedade são frágeis, prevalecem os monopólios, com grandes restrições ao empreendedorismo, e o poder está na mão de poucos.

No Brasil, prevalece o modelo inclusivo no Centro Sul, enquanto no Nordeste prevalece o extrativista. Uma simples conferência dos sobrenomes dos deputados e senadores comprova esta diferença. Mas, em um mesmo estado, cidades vizinhas podem ter uma diferença gritante.

Um bom exemplo está em Jaguariúna e Pedreira, em São Paulo. As duas passaram do ciclo do café e da pecuária para a indústria. Enquanto Pedreira ficou na indústria de baixo agregado tecnológico, Jaguariúna atraiu setores mais high-tech. Quando fui à Pedreira pela primeira vez, nos anos 70, a economia de Jaguariúna era basicamente rural, enquanto Pedreira era a Capital da Porcelana. Hoje, o PIB per capita de Jaguariúna é 8 vezes maior do que o de Pedreira.

É possível mudar a sina dos países ou regiões extrativistas?

Fonte: Why Nations Fail – The Origin of Power, Prosperity and Poverty” – Daron Acemoglu e James Robinson.

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