DIVIDENDOS OU REINVESTIMENTO – DILEMA EMPRESA FAMILIAR

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Por Ismar Roberto Becker

As empresas familiares enfrentam todos os problemas das outras, com um a mais: família. Vamos analisar um dos principais pontos de conflito nas empresas familiares?

O Modelo dos Três Círculos (Família, Propriedade, Gestão) de Tagiuri e Davis mostra que estes três atores têm interesses distintos e até conflitantes. Um dos mais sérios é a decisão de distribuir mais dividendos ou investir no negócio.

No final de semana passado, tive uma conversa com a família Chiodini, controladora da Agricopel. A empresa tem uma excelente governança, já fez a sucessão para a segunda geração, tem conselho de Administração, de Sócios e de Família, ou seja, está fazendo o dever de casa. Um dos pontos que discutimos foi o tradicional dilema entre reinvestir x distribuir dividendos.

Antes de listar algumas medidas que podem amenizar este dilema, é fundamental entender o conceito de DESCONTO HIPERBÓLICO, que é nossa inclinação para escolher recompensas imediatas (dividendo) em vez de futuras (mais dividendos pelo aumento do lucro com investimentos).

Sócios passivos, que não atuam na empresa, têm uma grande propensão para o desconto hiperbólico. Filhos, noras e genros destes sócios, pior ainda. Do outro lado, os sócios empreendedores pensam só no crescimento do negócio, que exige reinvestimento. Eles acreditam no Desconto Exponencial, sendo o ganho futuro.

No livro “Managing for the Long Run”, encontramos algumas ferramentas para mitigar este conflito entre o comportamento Gasto é Vida x Austeridade Fiscal.

  1. Política dividendos

Definir um mínimo de lucro a ser distribuído, reservas mínimas de caixa, limites de alavancagem (empréstimos).

  1. Plano estratégico

Senão, por outras razões, o crescimento das famílias tende a ser maior do que a geração da caixa. Isto significa que o negócio precisa crescer para poder pagar mais dividendos. Planos para o crescimento devem ser aprovados pelo Conselho de Administração, mas discutidos com o Conselho de Sócios, com métrica clara do ROI (retorno).

  1. Educação patrimonial

Todos os sócios devem ter um nível mínimo de finanças e os indicadores-chave do setor, se possível, comparados aos concorrentes.

  1. Separação de papéis

Os sócios devem ter a última palavra sobre patrimônio, investimentos, a partir de um determinado valor, distribuição de resultados. A gestão (sócios ou não) executa. No meio dos dois, o Conselho de Administração pode exercer um poder moderador.

  1. Liquidez alternativa

Quando as ferramentas não funcionam, porque a pressão, geralmente das gerações mais novas, de Desconto Hiperbólico é muito grande, a saída é criar portas de saída. Isto pode ser feito com fundos de resgate de ações, que ficariam com a empresa, ou venda para investidores externos.

Como você administra o conflito do hoje x amanhã?

Fonte: “Managing for the Long Run – Lessons in Competitive Advantage from Great Family Businesses” Danny Miller e Isabelle Le Breton-Miller.

 

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