BRASIL – DO PRAGMATISMO À IRRESPONSABILIDADE

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Por Ismar Roberto Becker

Diga-me com quem andas e te direi quem és. O peixe morre pela boca. Estes dois ditados populares resumem bem o vexame ao qual o Brasil foi submetido nos últimos dias. Quer conhecer as provas?

O Brasil começou a construir seu papel na Ordem Mundial, em 1904, na Conferência da Haia. Rui Barbosa defendeu a igualdade jurídica entre as nações. Isto foi um marco no princípio da defesa do multilateralismo nas relações externas.

Em 1947, Oswaldo Aranha articulou e presidiu a Assembleia da ONU, sendo a base para a criação de Israel. Até hoje, o Brasil é o primeiro a falar na abertura da Assembleia Geral.

O General Geisel (74-79), no auge do período militar, rompeu com o alinhamento automático com os EUA, com o chamado Pragmatismo Responsável. A ideologia foi deixada de lado na defesa do interesse nacional. Estabelecemos relações diplomáticas e comerciais com os países comunistas e árabes. Fomos os primeiros a reconhecer a independência das antigas colônias portuguesas na África. Reconhecemos a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), restabelecendo relações diplomáticas com a China. Não rompemos com os EUA, mas deixamos de ser submissos.

No primeiro governo petralha começou a radicalização do que resultou no atual Sul Global, com o estreitamento de relações com potências democráticas como Cuba, Venezuela Irã e ditaduras africanas.

Na gestão de Ernesto Araújo (2019–2022) conseguimos atritar com quase todo mundo. Voltamos à subserviência dos EUA de Trump.

Nos últimos dias, assistimos a um verdadeiro show de horrores em encontros com ditadores corruPTos, criminosos condenados pelo Tribunal Internacional, presidentes sul-americanos decadentes.

Até aqui descrevi fatos, agora deixamos o protagonista falar.

Em Moscou: “A humanidade deve muito à União Soviética, que perdeu 26 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial”.

Em Pequim: “O que aconteceu na China depois da Revolução de 1949 foi algo extraordinário. Tiraram 800 milhões de pessoas da pobreza. É o que também tentamos fazer no Brasil com nossos programas sociais”.

É vergonhoso um presidente ignorar fatos e números históricos.

No início da Segunda Guerra, Stalin e Hitler dividiram a Polônia. Em 1940, os soviéticos mataram mais de 22.000 oficiais, intelectuais e membros da elite polonesa no Massacre de Katyn.

O terror Stalinista (1924-1953) provocou a morte, ou matou, algo entre 15 e 20 milhões de soviéticos.

No final do regime de Mao Zedong, a China era um dos países mais pobres no planeta. Seu PIB era igual ao do Brasil (155 bilhões de dólares), mas o PIB per capita era 160 dólares, como o da Etiópia, contra 1.200 dólares do Brasil. Entre 15 e 20 milhões de chineses morreram como resultado de loucuras como o Grande Salto para Frente e a Revolução Cultural.

Ele ignora esses fatos, ou mortos por aliados não contam? Até quando vamos passar vergonha?

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