POBRE ALEMANHA

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Por Ismar Roberto Becker

“Alemanha somente sairá da crise quando voltar a trabalhar”. Quem fez esta proposta?

Nos cinco anos que vivi mais na Alemanha do que no Brasil, assisti que o país foi sendo cozinhado em fogo lento pela burocracia estatal e por uma primeira-ministra melância, verde por fora, vermelha por dentro. Para piorar, a combinação da invasão da Ucrânia, concorrência com a China e as políticas de Trump minaram a base econômica do país, em recessão há dois anos.

O Estado do Bem-estar alemão cresceu muito acima do crescimento econômico nos últimos 20 anos. O “Bürgergeld”, um Bolsa Família turbinado, consome mais de 50 bilhões por ano. Um casal pode ganhar mais de 1.000 euros e as crianças de 350 até 470 euros. Com isto, pagam as contas básicas e fazem bicos, conhecidos como “Schwarsarbeit”, por não pagar imposto.

Os alemães trabalham 220 a 230 dias por ano, dos quais temos que descontar 15 que estão afastados por atestado médico. Metade, pelo menos, destes atestados são frios, já que nem é necessário ir ao médico para consegui-lo. As duas palavras mais usadas são: Urlaub (Férias) e Krank (Doente).

Nesta semana, ouvi pela primeira vez um político de peso, Winfried Kretschmann, equivalente ao governador de Baden-Württemberg colocar o dedo na ferida, dizendo:

“Para voltar a ser uma potência econômica mundial precisamos trabalhar mais. Não temos mais como sustentar o Work-Life atual, quando estamos no meio de uma recessão”.

Quase caí da esteira da academia, quando soube que ele é do partido Verde. Nossa ministra do meio ambiente não seria aceita no partido, por ser moderada. Vejam os outros pontos:

  1. MUDANÇA MENTALIDADE: o mundo mudou, os alemães têm que se adaptar, não esperar o contrário.
  2. JORNADA DE TRABALHO: reduzir o número de feriados. Encerrar assunto sobre o aumento do número de dias de férias.
  3. AUMENTO DA IDADE APOSENTADORIA: não é possível manter os atuais 63 anos.
  4. REDUÇÃO ESTADO SUPERMERCADO: o Estado não tem condições de atender todas as demandas da sociedade.
  5. ACORDO GRANDE COALIZÃO (GroKo): o acordo que elegeu Friedrich Merz como primeiro-ministro é vago nos pontos críticos. Com relação ao aumento da idade de aposentadoria, só foi definida a criação de uma comissão de estudos.

A GroKo uniu o CDU/CSU, de centro-direita, com o SPD, esquerda, que foi o grande derrotado na última eleição. Apesar disto, ficou com a metade dos ministérios e conseguiu impor sua agenda populista. Os eleitores CDU/CSU consideraram um estelionato eleitoral.

O cientista político Werner Patzel alerta no título de uma entrevista: Quanto tempo dura este governo? Ignorar que a maioria dos eleitores votou no CDU/CSU e no AfD, é uma bomba–relógio.

Você imagina um político da esquerda populista brasileira fazendo propostas como as do Kretschmann?

Fonte: Deutsche Wirtschaftskrise: Weniger Arbeiten ein Luxusproblem? Markus Lanz; Regierungs-Drama und Merz – Wie Lange hält diese Regierung?, Werner J. Patzel.

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