PRUDÊNCIA É PODER

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Por Ismar Roberto Becker

O peixe morre pela boca, diz um ditado popular. Poucos veem o que somos, mas veem o que parecemos. Quer conhecer um pouco da minha história de imprudências?

Atire a primeira pedra quem não perdeu uma oportunidade por falar demais, da forma inadequada, para quem não devia, no momento errado. Quem não cometeu um sincericídio? Se este é seu caso, continue lendo o meu “mea culpa, minha máxima culpa”, da minha falta de prudência.

Sempre tive a imagem de um rebelde, questionador, iconoclasta (destruidor de imagens). Em algum momento, a coisa evoluiu para o estágio de “Hay Gobierno? Soy contra!”. Este comportamento, que se tornou um estilo, foi piorando com o sucesso repentino que tive no início da carreira, alavancando as exportações da Oxford Porcelanas, de quase zero para metade da produção. Somente muitos anos depois, fui entender as consequências da Síndrome do Sucesso Repentino. (Veja no Google ou ChatGPT).

Com o tempo fui aprendendo que falar demais, não escutar (escuta ativa), arriscar em demasia, excesso da transparência, intempestividade, falar alto, acabavam prejudicando o balanço entre as qualidades, a experiência que eu tinha e os resultados.

Este processo evolutivo foi acelerado quando saí da empresa familiar onde atuava. Quando você não tem um CNPJ forte no nome, o jogo é outro. Outro salto foi quando retornei, depois de quase 20 anos, a presidir a Associação Empresarial de São Bento do Sul (Acisbs). Em uma entidade de classe, você não fala em seu nome, mas de um conjunto de empresas com interesses distintos. A campanha para prefeito foi outro marco. Manter a calma quando os adversários mentem e tentam denegrir sua honra, não é fácil. Basta perguntar para o Datena, após o debate em São Paulo.

O morango no topo do bolo foi a formação para conselheiros, no CELINT. Aprendi com o Wanderlei Passarella e com alguns colegas que o Conselheiro tem que ser econômico com as palavras e perdulário na escuta. Mais fácil dizer do que fazer.

Nesta caminhada para um maior equilíbrio, pelo efeito da serendipidade (acaso), tropecei no livro A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, de 1647, que com O Príncipe, de Maquiavel, são um manual de sobrevivência social.  Algumas frases do livro:

Prudência: “Saber viver exige muito mais do que somente saber”.
Autoconhecimento: “Poucos veem o que somos, mas todos veem o que parecemos”.
Tempo: “O segredo do êxito está em saber esperar o momento apropriado
Discrição: “Nunca revele todo o seu pensamento”.
Aparência: “É necessário parecer o que se quer ser”.
Aprendizagem: “O homem sábio é o que sabe aproveitar os outros”.

A maturidade, ajudada pela prudência, é como os vinhos. A maioria se transforma em vinagre. Alguns se transformam em clássicos. Podemos decidir em que queremos nos transformar.

Qual dos atributos da prudência é o seu ponto forte e qual o fraco?

Fonte: “A Arte da Prudência” – Baltasar Gracián.

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