Por que os brasileiros devem estar com uma saudável inveja dos argentinos?
Na sexta-feira, o governo argentino acabou o Cepo Cambiário para pessoas físicas, liberando o câmbio. Depois de 15 anos, os argentinos poderão ir ao banco comprar quantos dólares quiserem. Como Milei conseguiu isto?
Desde o início do ano, o governo de Milei cometeu uma série de erros no varejo, fez declarações desastradas, o presidente se envolveu em um escândalo de criptomoedas. Os dinossauros da casta aproveitam a oportunidade, deflagrando uma enxurrada de fake news, convocando manifestações violentas, atacando o Peso, provocando inflação. Semana passada veio a resposta.
Liberais, economistas com a mínima capacidade cognitiva macroeconômica, podem pular esta parte. Usarei a metodologia do livro “Economics for Dummies” (Economia para Idiotas) para mostrar os três pilares de uma economia sustentável.
- FISCAL: é a lição da Dona Lindu, que o filho não segue: gastar só o que ganha. Na Argentina, que teve uma meia dúzia de anos com superavit fiscal nos últimos 100 anos, Milei conseguiu um superavit no primeiro mês de governo.
- MONETÁRIO: o Banco Central Argentino era o caixa que alimentava o populismo peronista. Desde janeiro de 2024, as impressoras estão paradas.
- CAMBIAL: nos últimos 15 anos, pessoas físicas e jurídicas tinham limites máximos de compra de dólares no câmbio oficial. Claro que os amigos da rainha conseguiam licenças para ultrapassar este limite. Os pobres mortais tinham que engraxar a mão de burocratas.
Liberar a compra de dólares na Argentina é um exercício semelhante a deixar um alcoólatra com a chave do boteco. O estoque de bebidas tem que estar muito alto para o alcoólatra cair de bêbado, antes de consumir tudo.
A solução foi o Fundo Monetário Internacional, outros organismos mundiais, além de bancos privados, aumentaram o estoque de bebidas (ops! Dólares). Serão uns 32 bilhões de dólares, sendo uns 15,6 bilhões quase que imediatamente. Com isto, seria possível comprar todo o estoque de pesos em circulação e aplicados, pela cotação da banda que varia de 1.000 a 1.400 pesos. Este colchão, somado à provável internação de dólares dos exportadores de soja, deveria ser o suficiente para manter o mercado calmo.
Para fazer um seguro das possíveis consequências da provável crise “trumpial”, o governo está aumentando a meta de superávit fiscal de 1,3% para 1,6%. Isto evita o crescimento da dívida pública. Ponto importante: não é um superavit primário, sem considerar os juros. É um superavit com o pagamento dos juros. Enquanto isto, aqui nas terras tupiniquins, o ministro da Fazenda chama de desonestos intelectuais, os que não reconhecem que o (des) governo cumpriu o arcabouço fiscal.
Nós brasileiros, não temos uma boa razão para ter inveja dos argentinos?
Fonte: Lição de macroeconomia, cidadania e respeito pela população do Presidente Milei no discurso em cadeia nacional – 11/04.
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