Estamos assistindo ao fim do capitalismo, sem perceber?
Desde lá por 1860, esta pergunta vem à tona regularmente. Em 1994, parecia respondida com O Fim da História e do Último Homem, de Fukuyama, mas a crise bancária de 2008 reacendeu as esperanças dos que têm o wishful thinking (doce ilusão) do fim do capitalismo. O que tem de novo?
O mito dos coletivistas utópicos, que financiaram seu trabalho queimando dinheiro da família, da esposa e amigos, não previu uma data para o fim do capitalismo. Ele profetizou que os conflitos internos do sistema gerariam instabilidades e desigualdades, reduziriam os lucros das empresas.
A história manchada de vermelho, do sangue dos milhões de assassinados pelo modelo, dispensa um balanço dos experimentos.
Com a divulgação das atrocidades de Stalin, a Cortina de Ferro começou a apresentar fissuras, até que implodiu com o fim da URSS, em 1994. Parecia ser o triunfo final do capitalismo. Como não existe um determinismo histórico, além de que o capitalismo é baseado na concorrência, o sucesso subiu na cabeça dos principais atores, que acreditaram que todos os problemas estavam resolvidos.
Os custos da globalização, que tirou milhões da miséria em países pobres e em desenvolvimento, foram pagos pela classe média dos países desenvolvidos. Os americanos não votaram em Trump porque Musk, Zuckerberg e Bezos ficaram trilionários, mas porque sua renda não subiu, ou seu emprego sumiu, porque as fábricas foram para a China, México ou Bangladesh.
Aproveitando a situação, surgiram duas correntes. Uma que só mudou o nome socialismo para algo mais palatável, como progressismo. Está em decadência em todo o planeta. Outras que criticam o capitalismo, mas sabem que é ilusório defender o modelo econômico e socialmente falido. Dois livros interessantes levantam contradições do capitalismo.
Em “O Fim do Capitalismo como o conhecemos”, Elmar Altvater diz que as crises ecológicas e econômicas levaram ao esgotamento do modelo. Acrescentou pouco ao que escreveu seu conterrâneo em 1860.
Já Mark Fisher, em “Realismo Capitalista”, foi mais realista, e afirma que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo, porque ele se enraizou na mente coletiva. Isto bloqueia a busca de alternativas.
Os dois autores apontam fatores válidos, mas erram ao ignorar um ponto-chave: o capitalismo é um modelo aberto, no qual funciona a Destruição Criativa de Joseph Schumpeter, que disse que inovação revoluciona o antigo, criando o novo. O que não funciona tem que se adaptar ou será substituído.
As tentativas de substituir o velho capitalismo não funcionaram. O que vimos foram algumas mudanças sendo absorvidas e ajustadas à realidade.
A solução do capitalismo é destruí-lo ou promover ajustes para melhorá-lo?
Fonte: “Der stille Zusammenbruch: Erleben wir das Ende des Kapitalismus und merken es nicht einmal?” – Kunst des Lebens; “Kapitalistischer Realismus” – Mark Fisher.
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