A Argentina tem 34,9% de pobres, inflação de 117,8%, o PIB caiu 1,7% em 2024. Tudo culpa do Milei. Por que ele tem 45% de aprovação da população?
Antes de aprofundarmos as causas deste paradoxo (economia caindo/aprovação subindo), vamos aos números brasileiros.
Pobreza 29,4%, inflação 4,83%, PIB cresceu 3,4%. O (des) governo tem uma taxa de aprovação de 29,4%.
Por que o tri-presidente tem uma aprovação tão baixa?
É a PERSPECTIVA estúpida, parafraseando James Carville, na campanha de Bill Clinton contra Bush pai. Os argentinos estão mal, mas melhorando. Os brasileiros estão piorando, além de acreditar que vão piorar ainda mais. Vamos detalhar estas duas situações.
Milei fez um ajuste fiscal, com equilíbrio desde o primeiro mês de governo. Cortou os gastos do governo em 5% do PIB e em 10% da emissão monetária do Banco Central. No Brasil, fazemos de conta que estamos atingindo a meta do Arcabouço Fiscal, mas os gatos (ops! gastos) parafiscais, mais os juros da dívida, devem passar de 7%.
Milei continua cortando gastos, o empreguismo estatal, desregulamentado o país. Aqui assistimos à farra de “Gasto e Vida”, para turbinar a popularidade do presidente.
Todos cometemos, ou falamos, besteiras. Os que falam muito tendem a cometer mais besteiras. Milei, como a Demiurgo de Garanhuns, adora um microfone. A diferença é que Milei explica macroeconomia para o povo, enquanto nosso manda comer ovo de ema, e não comprar o que está caro.
Milei escorregou no tomateiro quando fez uma postagem promovendo a criptomoeda Libra, que subiu e caiu, como um foguete. Como era uma donzela em termos de seriedade, sua aprovação caiu uns 4 pontos, para 45%. Aqui, como a imagem do Demiurgo se equipara a pau de galinheiro, mesmo com o esforço de Goebbels do Planalto, caiu de 35% para 24%. A razão para estes números é simples. Enquanto os argentinos sentem que estão melhorando pelas ações de um governo liberal, os brasileiros sabem que estão piorando pela falta de ações de um (des) governo populista.
Como o governo Milei vive em uma economia real, na qual impera a lei da escassez (não tenho dinheiro para tudo, além de estar limpando décadas da farra), sabe que tem mais um grande desafio pela frente: sobrevalorização do dólar.
A queda da inflação foi resultado da disciplina fiscal, da eficiência de gestão e da moralização do governo, tirando milhares de “companheiros” das tetas do governo. Tem mais um fator, contudo, sobre o qual Milei não tem controle: dólar. Os argentinos, como gato escaldado que tem medo de água fria, têm milhões de dólares escondidos em todos os lugares. Por isso existe o “cepo” que controla a troca legal de pesos por dólares. O plano era acabar com o cepo após as eleições de outubro. Pelo andar da carruagem, terá que ser antes. Este é o grande desafio de Milei.
Será que teremos que sonhar em ser uma Argentina amanhã?
Fonte: “Los Dias Cruciales del Período Milei” – Carlos Pagni – La Nacion.
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