O vencedor das eleições na Alemanha prometeu mudar o país. Antes de assumir, já mudou a forma de fazer política, dando um grande calote eleitoral. Quer saber o que pode acontecer?
No post https://www.linkedin.com/posts/ismar-becker-mentor-consultoria-conselheiro-ceramica-harvard-insead-gestao-mercadointernacional_ismarbecker-alemanha-geopolitica-activity-7301557119776952320-8v7g?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAARo_foBpfX5GE_-09VncWDfJ_1OyK0NtBc projetei dois cenários:
- DISRUPTIVO: mudanças estruturais na economia (desburocratização, desregulamentação), na imigração (fechar fronteiras e extraditar ilegais), na defesa (reconstruir as Forças Armadas, destruídas pela Merkel).
- EVOLUTIVO: mudanças incrementais (cosméticas) para conseguir apoio do SPD.
Errei por não prever as consequências do discurso de JD Vance, vice-presidente dos EUA, na Conferência de Segurança de Munique, e o puxão de orelha que o Zelensky levou do Trump.
A Europa está em pânico pelo recado do Trump: não vou mais pagar a conta de defesa de vocês. Isto motivou reuniões entre os três grandes (França, Reino Unido e Alemanha). Os dois primeiros chegaram a propor enviar tropas para garantir a integridade da Ucrânia, com a França dizendo que ampliará seu guarda-chuva nuclear sobre os vizinhos. Falta dinheiro para equipar as Forças Armadas e, mesmo com todo dinheiro do mundo, eles levarão uns 10 anos para poder se defender sozinhos.
A velocidade com que Friedrich Merz negociou a coligação com o SPD, o grande derrotado das últimas eleições, não tem precedentes na Alemanha. Se isto não fosse suficiente, conseguiu aprovar um megapacote de 500 bilhões de Euros, que vem quase como um cheque em branco.
Mas por que isto é um calote?
O CDU/CSU, partido do Merz, defende a responsabilidade fiscal, sabe que “gasto é vida” gera inflação. Os eleitores do CDU/CSU acreditam nisto, bem como uma parte da oposição. Já o SPD e o Grüne, como toda esquerda que se preze, só sabem duas operações: diminuir e dividir. O pacote “Almoço grátis” foi aprovado quase na calada da noite, por um parlamento que só tem mais alguns dias de vida, com votos do Grüne.
A promessa do Merz foi usar a verba extra com Defesa e recuperar a depauperada infraestrutura viária. Caso ele conseguisse isto, cumpriria suas promessas, governando disruptivamente (cenário 1). As discussões do detalhamento da coligação (CDU/CSU e SPD), que está sendo discutida por grupos com quase 300 pessoas, têm outros planos para gastar os 500 bilhões. Uma delas é reforçar as utopias climáticas, defendidas pelos Grüne. A consequência será empurrar mais votos para a AfD (extrema-direita), que deverá ser a grande vencedora das eleições em quatro anos, ou antes.
Você ainda acha a política no Brasil é complicada?
Fonte: “Politikwechsel in Deutschland: Die Zukunft oder das Ende der CDU” – Prof. Werner J. Patzel – Union Stiftung.
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