Por décadas, os gastos de defesa caíram enquanto os sociais subiram. O economista Paul Samuelson chamou de escolha entre canhões e manteiga. Quem vai pagar mais canhões?
Os recursos disponíveis para os governos não são suficientes para atender aos desejos/necessidades infinitas da população. O nome disso é escassez, algo que os populistas dos dois lados ignoram. Por aqui é chamado de “Gasto é vida”, na Argentina “Onde tem uma necessidade nasce um direito”. Vamos ver como o mundo vai pagar a conta de mais segurança, após a Guerra da Ucrânia.
DILEMA ATUAL
O aumento dos gastos governamentais, com a explosão da relação dívida x PIB, é uma enorme ameaça para as maiores economias do planeta. Enquanto as taxas de juros estavam baixíssimas, até negativas, não era um grande problema. A inflação causada pela festa da distribuição do dinheiro obrigou os Bancos Centrais a aumentar os juros, e a conta chegou. Aqui em terras tupiniquins, pela farra que voltou em 2022, mesmo que tenhamos déficit primário zero, a dívida pública aumentará de 4 a 5 pontos percentuais ao ano.
AMEAÇAS GLOBAIS
Uma combinação explosiva de ameaças à paz mundial (Rússia e China) está levando as nações desenvolvidas a gastar mais em defesa, além do reshoring, friendly shoring (cadeias de logística seguras) e infraestrutura energética.
Nenhum país responsável pode depender de petróleo ou gás, remédios ou terras raras produzidas por uma ditadura.
FIM DO DIVIDENDO DA PAZ
Desde o final da Segunda Guerra, houve uma queda dos gastos com defesa, com um aumento dos sociais (educação, saúde, benefícios). Os gastos com canhões (defesa) representavam 5 ou mais vezes os com manteiga (sociais). Hoje é o contrário. Mesmo a maior potência militar do planeta (EUA) gasta só 3,5% do PIB com defesa. Com a invasão da Ucrânia, ficou explícita a ameaça do Eixo do Mal (China, Irã, Coreia do Norte). Por isso, a conta da defesa vai subir.
O discurso do JD Vance na Conferência de Segurança em Munique, reunião (sic!) de Trump com Zelensky, seguido pelo discurso no Congresso americano, fez os europeus entenderem que terão que colocar a mão no bolso para tentar garantir que Putin se contente com uma parte da Ucrânia. Uma informação comprova o tamanho desta ameaça: o PIB da Rússia é equivalente ao da Itália, mas a Rússia gasta mais do que toda a União Europeia.
FIM DO MUNDO UNIPOLAR
Os EUA entenderam que não podem diluir forças e dinheiro em três frentes (Ucrânia, Meio Oriente, Taiwan). Trump não quer mais ser o polícia do mundo. Isto acabou, na prática, com a aliança conhecida como Democracias Liberais Ocidentais?
Como nosso orçamento não dá nem para manteiga, muito menos para canhões, onde fica o Brasil neste cenário?
Fontes: “Guns and Butter 2.0” – Tom Becker – BlackRock; “A Debate on Guns vs Butter” – The Kiel Institute.
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