NÃO AMO MINHA AMANTE

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Por Ismar Roberto Becker

Dizer que tem uma amante é grave. Que ama mais a amante do que a esposa, é gravíssimo. Como classificar um presidente que diz isto em um discurso?

Dois anos de mandato, bilhões de reais torrados em ações populistas, popularidade caindo. Segundo o Flautista de Garanhuns, aquele que ama mais a amante, o problema é a comunicação. O eleitor não está sabendo o que o (des) governo faz. Será?

Sidônio Palmeira, chefe da comunicação, definiu a receita: “É preciso aliar os seguintes fatores:

– Expectativa: o que a população espera do governo.
– Gestão: o que o governo faz.
– Percepção: como as ações chegam.

Perfeito na teoria de Marketing. Me corrijam se estiver errado: não sabendo o que a população espera do governo, e fazendo o que ela não espera incompetentemente, vai adiantar?

Como vendedor, aprendi que propaganda boa não vende produto ruim. Vou tentar auxiliar com algumas sugestões vindas de dentro da trincheira progressista.

Estamos assistindo a um fenômeno de mudanças no Brasil, que abraçou a igualdade racial e de gênero.

A direita, apoiada no conservadorismo e tradicionalismo, está disputando as bases populares do socialismo progressista democrático. A religião se tornou uma força política extraordinária.

A automatização, a desorganização da força de trabalho, os aplicativos, os empreendedores sociais, as novas expectativas dos jovens, as redes sociais, esgotaram o movimento que nos levou ao poder.

Se tiver estômago forte, assista a aula do Zé Dirceu, no curso de História e Política.

O Flautista de Garanhuns, que sempre conseguiu unir o país, superar adversidades e agregar opostos, sumiu. Surgiu outro, mais centralizador, impaciente, convicto de suas certezas, e menos disposto a ouvir discordâncias.

É um governo que reciclou projetos antigos (PAC, Mais Médicos etc.), sem entender circunstâncias novas, como as redes de solidariedade das igrejas evangélicas, o apelo do empreendedorismo e a resistência ideológica às vacinas. É como se o governo não aceitasse uma premissa básica da sua existência: foi eleito não pelos seus méritos, mas pelos deméritos do anterior.

Ainda cobertos pela poeira da queda do Muro de Berlim, os órfãos da URSS focaram em destruir os fundamentos da Democracia Liberal Ocidental. Infiltraram-se nas escolas, na cultura, na imprensa, na Justiça, no Catolicismo. Parecia que tinham vencido a guerra com o domínio Woke. Começaram a perder guerras por um erro básico: acreditaram no determinismo histórico do fim do capitalismo.

O capitalismo aprende com os erros, promove a evolução da população e, com isto, o que ela espera do governo também muda. Sidônio, não é PERCEPÇÃO que tem que mudar. É entender que a EXPECTATIVA da população mudou.

Será que o Imperador vai escutar as vozes da própria trincheira?

Fontes: Veja – Coluna Thomas Traumann – O Lula de 2010 e o Lula de 2024; Fundação Perseu Abramo – “A Luta Política pelo Futuro” – José Dirceu.

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