FIM DA CRISE – COMEÇO DA EMERGÊNCIA ECONÔMICA

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Por Ismar Roberto Becker

Dólar, juros e inflação subindo. Bolsa caindo. Estamos em uma crise de confiança do mercado ou de fundamentos da economia?

Quer conhecer duas narrativas para uma inflação crescente, que pode sair do controle?

  1. “O REPASSE do câmbio para os PREÇOS aumenta quando a DEMANDA está mais forte, as expectativas estão DESANCORADAS ou o movimento cambial é considerado mais PERSISTENTE”.
  2. “Bom dia, Ismar: como o Dólar está fora de controle, informo que aumentamos nossos preços em 10% a partir de hoje. Não poderemos aceitar pedidos acima da média de compras dos últimos meses, para evitar compras especulativas.

A primeira narrativa é uma afirmação do último comunicado do COPOM. A segunda é de um fornecedor de um dos nossos principais insumos. Este (des) governo está colhendo o que plantou no final de 2022, antes de assumir.

Vamos aos números.

DÍVIDA BRUTA GOVERNO GERAL (DBGG)

Fim 2022 – 7,9 trilhões de reais – 71,7% PIB

Outubro 2024 – 9 trilhões de reais – 78,6% PIB

A irresponsabilidade fiscal aumentou a parcela da dívida de cada brasileiro em R$ 5.174,00 por habitante.

Como não tem nada tão ruim que não possa piorar, mantida a gastança descontrolada atual, a dívida deve aumentar para uns 80% do PIB em 2026. Isto sem contar o que será queimando para tentar a reeleição.

CONSEQUÊNCIAS IMEDIATAS

– Dólar: BC gasta reservas para conter a desvalorização do Real, mas sem sucesso.

– Dívida: credibilidade baixa afeta a rolagem da dívida; capacidade do Tesouro caiu de 7,9 para 6,9 meses. Títulos pós-fixados subiram de 39% para 47%; leilões sem interessados.

– Inflação: custos já estão sendo repassados, seguidos de aumentos preventivos. Início de um círculo vicioso similar ao pré-Real.

“O povo mais pobre, o povo mais humilde, quando tem um pouquinho de dinheiro, ele não compra dólar, ele compra comida. Ele compra coisas para a família”.

Esta frase do Demiurgo de Garanhuns, comprova a hipossuficiência cognitiva econômica dele. O povo mais pobre não compra dólar, mas a comida que compra é afetada pelo dólar. Um exemplo simples no caso do pão nosso de cada dia:

O Brasil importa 42% do trigo que consome. O trigo representa uns 30% do custo do pãozinho. Uma desvalorização de 25%, que tivemos em 2024, o aumento do pãozinho foi de 3,15%

Cenário econômico previsível:

  1. Desconfiança no mercado vai continuar ou até aumentar.
  2. O real continuará acima de 6 reais, com tendência de desvalorizar ainda mais.
  3. O BC já avisou que vai aumentar os juros para 14,5%.
  4. A inflação vai furar o teto da meta (4,5%), obrigando o BC a manter os juros altos até 2026.
  5. A popularidade cai, ameaça a reeleição, e deflagra uma gastança geral.

Você acredita que ainda estamos em uma crise ou já passamos por uma emergência econômica?

Fonte: Comunicados do Copom – dezembro 2024.

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