VIVA! O BRASIL À BEIRA DO ABISMO

Foto de Por Ismar Roberto Becker
Por Ismar Roberto Becker

Não estou comemorando o fato de o Brasil estar à beira de três abismos. Não sou masoquista, nem sádico. A comemoração é porque o Brasil só faz mudanças duras quando está à beira do abismo. Quer conhecer os abismos atuais?

Em 2015, o Brasil estava quase quebrado graças à combinação de irresponsabilidade fiscal e hipossuficiência cognitiva da Nova Matriz Econômica. Antes de ser afastada, a presidenta nos legou uma conta de 3,5% do PIB para pagar.

A pressão popular forçou uma aliança ampla para aprovar o impeachment. Passados nove anos, os mesmos personagens, com a mesma irresponsabilidade e hipossuficiência, estão recriando a mesma situação. Gastos sobem pelo elevador, arrecadação pela escada. Como não tem nada tão ruim que não possa piorar, além do abismo econômico, temos outros dois.

– Herança maldita: o buraco de 3,5% do PIB, deixado pela “impeachmentada” diminuiu para 1,2% com Temer e 0,7% com Bolsonaro. Esse número poderia ser muito menor se não fossem os gastos populistas para ele tentar se reeleger. As contas foram de 1% do PIB com o Bolsa Família, 0,5% do PIB com o FUNDEB e 0,31% do PIB com as emendas obrigatórias. É interessante o ministro Haddad culpar o governo anterior, já que congressistas do seu partido votaram a favor dos aumentos, e não cancelaram.

– Bomba-relógio: além de manter a herança maldita, este (des) governo indexou estas contas com aumentos reais baseados no PIB dos dois anos anteriores. Salário-mínimo, gastos obrigatórios com saúde e educação, aumentaram acima do teto de 2,5% de crescimento estabelecido pelo finado arcabouço fiscal.

O já famoso pacote de redução de gastos, quando sair, será MUITO POUCO – MUITO TARDE. O resultado será aumento dos juros, desvalorização do Real, aumento da inflação importada, que afeta os mais pobres, que não votaram contra o candidato da situação.

ABISMO DE PODER: políticos cheiram sangue de longe. Quando percebem que um presidente está enfraquecido, antes de afastá-lo, sugam o possível. Foi assim com Collor e Dilma. Temer e Bolsonaro foram preservados porque ainda tinham algo a dar.Com os aumentos das emendas parlamentares de pagamento obrigatório e aumento acima da arrecadação das despesas compulsórias, sobra cada vez menos para aquelas despesas que são vida.

ABISMO POLÍTICO: o indiciamento dos envolvidos em um suposto golpe ocupará o centro do cenário político até um julgamento de todos os envolvidos. Sem entrar no mérito de que aquele que julga não deveria investigar e, muito menos, ser uma possível vítima, qualquer resultado não será aceito por um lado, e uns 20 a 25% do outro. Acredito que, no impedimento do ex-presidente ser candidato, o atual perde seu inimigo predileto, e a narrativa da defesa da democracia. Isto pode abrir caminho para sairmos dos dois primeiros abismos.

Você acredita que não vamos cair no abismo?

Fonte: Gastos públicos nas tentativas de reeleição de 2014 3 2022. https://blogdoibre.fgv.br/

#ismarbecker #economia #política #Brasil

 

Compartilhe esse conteúdo:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Email
Twitter
Pinterest