Muitas profissões vão mudar radicalmente ou até desaparecer com a Inteligência Artificial. Professor é uma que terá que se adaptar profundamente. Isto é bom ou ruim?
Fui professor de Economia Global, no último semestre de Administração e Contabilidade, por dois anos. Tinha que combinar as aulas com minhas viagens para vender porcelana no Brasil e exterior. Dentro do currículo, tentei incluir experiências pessoais nas crises econômicas, flutuações do câmbio e influências de ações geopolíticas.
Aplicava provas discursivas (redação) com consulta. Este foi o começo do fim da minha curta carreira. Rejeição dos alunos, muitos dos quais não sabiam formular um conceito, além do tempo para corrigir as provas, encerraram minha experiência.
A segunda frustração foi durante a campanha para prefeito em 2020. Conversei com mais de 200 professoras da rede municipal. Antes das conversas, fui alertado a não questionar o Plano Municipal de Educação, cuja rápida introdução de 50 páginas é a maior coletânea de citações marxistas após O Capital. O ímã tupiniquim deste ópio do povo é Demerval Saviani, pai da Pedagogia Histórico-Crítica, adaptação marxista para a formação de jovens.
Deixando este detalhe de lado, tentei debater a carga curricular, as tarefas extracurriculares (reforços para alguns alunos), etc. Não consegui sequer começar. Fui atropelado por temas fundamentais para os alunos, como aumentos automáticos de salário, pagamento de horas extras para preparar aulas, corrigir provas e participar de reuniões para reivindicar direitos. Discutir como provocar a reflexão dos alunos, nem pensar. Eles podem aprender a pensar e questionar os professores, minando o seu poder absoluto.
Até a Revolução Industrial, não existia a educação estatal gratuita. As famílias ricas contratavam tutores, como Aristóteles foi para Alexandre, o Grande. Os pobres mandavam os filhos para seminários religiosos. Era um modelo não escalonável pela falta de tutores ou pelo custo.
Com o tempo, o número de alunos por classe foi aumentando, a carga horária dos professores aumentando, os alunos aprendendo cada vez menos, e sendo aprovados automaticamente. Uns fazem de conta que ensinam, outros que aprendem.
Sal Khan, fundador da Khan Academy, que revolucionou o ensino gratuito no mundo, enxerga na Inteligência Artificial, uma ferramenta que permitiria replicar o modelo socrático de educação, com cada aluno tendo tutores em tempo integral. Isto não substituirá o professor. Vai permitir que ele se dedique ao que a IA não consegue fazer.
Até quando o corporativismo, que resiste a mudanças, aliada a doutrinação que grassa nas escolas brasileiras, vão conseguir bloquear avanços no modelo obsoleto de educação?
Fonte: “Unlocking the Future of Learning with AI – Sal Khan” Next Big Idea Club; “Brave Words: How AI Will Revolutionize Education (and Why That’s a Good Thing)” – Sal Khan.
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