Por que a 3ª economia do planeta decidiu fazer harariqui?
Em 1999, The Economist descreveu a Alemanha como ‘The Sick man of Europe’. Nas duas décadas seguintes, o país viveu das glórias do passado, ignorando mudanças geopolíticas, que não conseguiu ver do alto de sua arrogância.
Um desastre desses não acontece por acaso. Na Argentina, foram anos de governos populistas, que praticaram o mantra “onde tem uma necessidade, nasce um direito”. A versão brasileira é “gasto é vida”. Lá, foram outras causas, já que desde 2014 impera o “Schwarze Null”, que proíbe o endividamento do governo.
Entre 2014 e 2020, administrei uma empresa na Alemanha. Em 2020, terceirizei a produção e demiti todos os funcionários após o Delegado do Trabalho me aconselhar a retornar ao Brasil. A decadência alemã pode ser resumida na seguinte fórmula:
Fanatismo de estabilidade (sempre fizemos assim) + zona de conforto (quem são vocês para nos criticar) + 4 governos que anestesiaram e economia e a sociedade, com o verbo Merleln (decidir depois) + política energética burra (fechamento usinas nucleares + dependência gás russo) + imigração desenfreada + ditadura da burocracia.
A invasão da Ucrânia e a displicência da força de trabalho intensificaram a crise, acentuada por um governo omisso. Por falta de espaço, vou aprofundar somente um.
É impossível manter um diálogo de cinco minutos com um alemão sem que duas palavras sejam mencionadas: Krank (doente) e Urlaub (férias). Como os 45 dias de férias, mais os 16 feriados (onde eu morava) não eram suficientes, eles inventaram o neologismo “Krankfeiern”, para festejar a doença, em tradução livre. Vamos aos números:
– Em 2023, cerca de 26 bilhões de Euros foram perdidos por afastamentos desnecessários.
– O PIB poderia ter crescido uns 0,5%, mas caiu 0,3%.
– Em 2023, a média de dias afastados por trabalhador foi de 19,4%. Quase o dobro dos 10,7% de 2015. As doenças mais comuns são dores nas costas, gripe, depressão, todas difíceis de comprovar.
– Um atestado de até três dias pode ser solicitado por telefone.
Como direitos nascem como pragas, está sendo avaliado um atestado por algumas horas, também após uma mensagem telefônica ao médico. Imagina quem virá trabalhar às segundas pela manhã?
Christian Lindner foi demitido na semana passada por defender uma economia social de mercado, “para que as pessoas voltem a ter vontade de se esforçar, redescubram a alegria do risco empresarial e invistam com seu próprio dinheiro, do qual todos se beneficiam por meio da criação de empregos e do aumento das receitas fiscais”.
E você acha que só o Brasil tem um (des) governo?
Fonte: WirtschaftsWoche e The Economist.
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