O Arcabouço Fiscal, a contabilidade criativa, somadas à incontinência verbal do presidente, levarão o Brasil a uma crise de dominância fiscal. Por que Confúcio fez essa previsão?
O QUE É DOMINÂNCIA FISCAL?
Os governos têm duas ferramentas nas mãos para interferir na economia:
- a) Política fiscal: segue a lição da Dona Lindu, gastando só o que arrecada, estabilizando ou reduzindo a dívida.
- b) Política monetária: controle da moeda em circulação, aumentando juros.
O aumento de juros desaquece a economia, reduzindo a arrecadação, aumentando a necessidade de captação de dinheiro no mercado, que exige juros maiores, com prazos mais curtos, até uma perda de confiabilidade, que paralisa a compra de títulos. Isto é dominância fiscal, da qual estávamos muito perto no final da Nova Matriz Econômica.
O mercado acalmou um pouco quando teve a troca de Mantega por Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda. A manutenção do teleguiado Nelson Barbosa no Banco Central, estava levando a uma quebra da confiança. Só não entramos na dominância fiscal porque afastaram a presidenta, e entraram Meirelles na Fazenda, e Ilan Goldfajn no BC.
É A MATEMÁTICA, ESTÚPIDO
“Hoje, o governo tem em torno de R$ 230 bilhões para fazer tudo de discricionário. Quando tira emendas parlamentares e percentuais de saúde e educação, ficam cerca de R$ 100 bilhões para tudo. Para arrumar rodovias, fazer hospital novo, investir em saneamento, pagar água e luz, comprar um avião e carros novos. Isso é crescente. No ano que vem, vão sobrar R$ 80 bilhões ou R$ 70 bilhões. Em 2030, vão sobrar só R$ 30 bilhões.”
E O CONFÚCIO?
Confúcio foi um filósofo chinês, antes de Cristo, que pregava a moralidade pessoal e governamental. Vendo os números acima, concluiu que o Brasil caminha para um colapso: “Será necessário rever pisos constitucionais para saúde e educação, e outras vinculações do Orçamento da União, pelo bem e pelo mal”.
Mas se Confúcio viveu faz mais de 2.500 anos atrás, como ele se manifestou sobre a crise fiscal brasileira? Muito calma nesta hora, vou explicar.
O Confúcio, que citei textualmente no tópico ‘É a Matemática Estúpido’, é o senador Confúcio Moura (MDB-RO), relator do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).
As alternativas são:
- Choque de Reformas: Reforma Fiscal, com desvinculação despesas da receita (Educação e Saúde), do aumento do salário-mínimo + Reforma Tributária, reduções drásticas das renúncias fiscais + privatização geral e irrestrita.
- Aumento dos juros, com desaquecimento atividade econômica, aumento do endividamento, perda de confiança do mercado, podendo levar a Dominância Fiscal.
- Manipulação dos juros, inaugurando oficialmente a Nova Matriz Econômica 2.0.
Seguindo a lógica da fábula de escorpião, que segue seu instinto picando o sapo enquanto cruzava o rio, qual alternativa você acredita que o Demiurgo de Garanhuns vai tomar?
Fonte: Desespero do autor + entrevista Senador Confúcio ao Estado de São Paulo.
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