Por quanto tempo viveremos livres, agora que o BRICS virou um ônibus onde entra quem quer, todos viajando contra o modelo democrático ocidental. Quer conhecer o que uma cientista política alemã pensa sobre isto?A reunião do grupo do BRICS terminou com a entrada de potências econômicas como a Argentina e Etiópia; petro dinastias como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, exemplos de democracia, e respeito aos direitos humanos como Irã e Egito. Quase não acreditei quando li a notícia.O que me ajudou a entender o que motivou a China e Rússia a abrir a porteira foi o livro “Rússia, China and the Revisionist Assault on the World Order” da doutora Gerlinde Groitl, da Universidade de Regensburg, uma cidade alemã.Putin em 2007, e Hu Jintao em 2009, deixaram claro que o objetivo era acabar com o modelo democrático liberal ocidental. A última vez que um político deixou seus planos de forma tão explícita foi Hitler, quando publicou Min Kampf, em 1925. A invasão da Ucrânia, sem muita objeção da China, as ameaças chinesas de invadir Taiwan, e o circo dos Brics+6 na África do Sul, deveriam ser evidências suficientes para tomarmos providências antes que seja tarde demais.Mudar o status quo do sistema dominante faz parte da história da humanidade. A motivação para os Estados lutarem para mudar a ordem estabelecida é uma ameaça (real ou imaginária) da sua segurança, que pode ser territorial, saudosismo da glória passada ou econômica. China e Rússia não aceitam a ordem global dominante, após a queda do Muro de Berlim. Começaram a agir com discursos, pressões, até chegar na agressão militar (Rússia) ou ameaça contra Taiwan (China). A democracia liberal, a supremacia dos EUA, a liberdade individual, os direitos humanos, o respeito às leis, ameaçam o poder de Putin, que sonha com o retorno do império soviético e do Partido Comunista Chinês.A Rússia está em decadência desde antes da implosão da URSS e do fim da Cortina de Ferro. A invasão da Ucrânia aprofundou a decadência. A única arma (real e metaforicamente) que tem é o segundo maior arsenal nuclear do planeta. Isto é suficiente para perturbar independentemente da ordem estabelecida.Já a China vinha em uma ascensão meteórica, com seu comunismo político, turbinado pelo capitalismo relativo na economia. A volta da supremacia da ideologia do Partido Comunista, em detrimento do pragmatismo de Deng Xiaoping, aliado ao fim do modelo de crescimento baseado no investimento em infraestrutura, vai aumentar o risco de buscar inimigos externos para justificar os fracassos internos.Já que o sonho de que o crescimento econômico iria transformar os dois países em democracias acabou, a única alternativa palatável é estabelecer claros limites para as agressões da China e Índia. Esta parte é relativamente fácil. A mais difícil é punir os dois casos ultrapassem os limites.Será que nosso presidente consegue eliminar estes riscos em uma mesa de bar? #ismarbecker #geopolitica #China #Russia #politica #economia



