REPENSANDO CAPITALISMO 1507

Foto de Por Ismar Roberto Becker
Por Ismar Roberto Becker

“A única coisa que sei é que não sou marxista!” Você sabe de quem é a frase? Quer conhecer o autor e porque ela é muito importante para nosso futuro?Muita calma nessa hora, como diz um amigo meu. Os que sabem a resposta, aguardem antes de proferir o julgamento. Os que que não sabem, não se trata de mais uma mais uma confirmação dos meus valores. A escolha da frase escrita pelo velho Marx em uma carta ao genro, tem dois objetivos:1. Distância entre a teoria e prática: O “materialismo histórico” de Marx foi totalmente distorcido nas frustradas tentativas de implantar regimes igualitários, sob programas de partidos comunistas ou com qualquer outro nome. Marx deve ter pressentido que isso aconteceria, pois escreveu a frase muito antes da revolução de 1917.2. Storytelling: aprendi com o Ricardo Dalbosco que uma boa provocação no início de um texto gera bom engajamento, seguido de um bom debate. Então vamos aos fatos.Existe uma grande distância entre uma ideia e realidade. Da mesma forma que nunca existiu (nem existirá) um país totalmente igualitário, porque alguns sempre serão mais iguais do que os outros, também não existe (nem existirá) um país totalmente liberal. Em dois posts dos últimos dias, escrevi que em 99,9% dos 300.000 anos de história do Homo Sapiens, a desigualdade era muito menor do que hoje. Exceto os donos do poder (reis, faraós, papas) e uma pequena corte, o restante da população vivia em igualdade: pobres e até felizes porque os vizinhos e conhecidos eram iguais. O Complexo de Fourier (sou miserável, mas os outros também são) explica isso.Steven Pinker (O Novo Iluminismo) e Oded Galor (A Jornada da Humanidade), baseado em estatísticas independentes, mostram como a qualidade e a longevidade da vida melhoraram após as Revolução Industrial, embora a melhora não tenha acontecido com a mesma velocidade em todos os países. Dois outros autores, sem discordar dos números, e conclusões de dois cientistas, colocam um novo e preocupante fato na discussão: inovações tecnológicas deflagram picos de desenvolvimento, mas por algum (ou vezes longo tempo) as novas tecnologias beneficiam poucos, além de acabar com empregos de outros.Daron Acemoglu e Simon Johnson, no “Power and Progress – Our 1.000-year Struggle Over Technology and Prosperity”, mostram exemplos de como a tecnologia, principalmente no início da utilização, tem efeitos disruptivos, causando o desaparecimento de setores e empregos. Talvez o exemplo mais conhecido seja o movimento Ludita, que queria frear o uso de teares na Inglaterra, na Inglaterra, em 1811/12.Baseado nos vários exemplos, os autores mostram os riscos que a Inteligência Artificial representa para centenas de ocupações, e as reações que isso pode desencadear, já que não sofrem do Complexo de Fourier. Parafraseando Marx: “A única coisa que não sou é utópico, nem marxista, nem liberal”.    Qual a sua visão dessa ameaça? #ismarbecker #tecnologia #IA #carreiras #ameaças

Compartilhe esse conteúdo:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Email
Twitter
Pinterest