Você embarcaria em um avião no qual tivesse que viajar de pé, acompanhado pelo mecânico de voo? Quer me acompanhar nessa viagem?O avião da história (e da foto) é um C47, versão militar do DC 3, que foi um dos aviões mais versáteis já construídos. Com diversas versões, foram construídos mais de 16.000, de 1936 até 1950. No Brasil, eles chegaram em 1945, permanecendo em serviço até 1983. Eu entro nesta história (e em C47) em 1976, em Brasília, quando meu saudoso pai era Senador.Todos os anos as esposas dos senadores eram responsáveis por promover a Festa dos Estados, evento beneficente, onde os diversos estados brasileiros apresentavam sua cultura, música, comida e folclore. Para abrilhantar a barraca de Santa Catarina, meu pai negociou com a tradicional Banda Treml, de São Bento do Sul, fundada em 1913, para tocar o seu repertório de músicas alemãs. Detalhe importante: sem custo, além do transporte, alojamento, alimentação e, last but not the least, a cerveja para molhar a garganta dos músicos. Não me recordo quem financiou a cerveja, mas tenho certeza que foi o item mais caro do orçamento. Os músicos eram literalmente movidos pelo suco de cevada.Para o deslocamento de São Bento até Brasília (uns 1.500 km de estrada), meu pai conseguiu uma carona para a banda em um C 47 do Correio Aéreo Nacional. Me apaixonei pelo avião quando fomos recepcionar a banda na Base Aérea, já negociando com o piloto uma carona na volta. Filho de senador tem alguns privilégios.A aventura do voo de Brasília para Curitiba começou no embarque, quando o piloto começou a selecionar os mais gordos para sentar na frente, um de cada lado, para equilibrar o peso. Quando já tinham entrado quase todos, os quatro últimos, incluindo eu, foram informados que teriam que sentar nas caixas dos instrumentos, no fundo do avião. Para a decolagem, o mecânico de voo (sim, essa era sua função) orientou os quatro a levantar e ficar de pé, próximo aos pilotos, senão a traseira do avião não levantava.Logo após a decolagem começou serviço de bordo, com a degustação das diversas garrafas de cachaça, que os músicos haviam comprado em Brasília. Felizmente, o estoque durou até a escala em Uberlândia. Enquanto o avião era reabastecido, praticamente esgotamos o estoque (sólidos e líquidos) da pequena lanchonete do aeroporto. O mesmo aconteceu em Bauru, segunda escala, na chegada em Curitiba, em um pitstop no caminho para São Bento (100 km). A parada final foi no Bar da Dona Helga, onde tivemos que contar as histórias da viagem para os conterrâneos.Você não tem uma história de viagem pitoresca para contar?#ismarbecker #aventuras #FAB #viagem #Brasília #musica #cultura



