PASSADO COMUNISTA 2807

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Por Ismar Roberto Becker

Quem não foi comunista quando jovem não teve coração, quem continua comunista como adulto não tem razão. Quer conhecer minha história nas duas fases?Esta frase, com suas variações, já foi atribuída a Churchill, Willy Brandt e Roberto Campos. Considerando as reações, algumas exacerbadas e outras agressivas, com relação um dos meus últimos posts aqui no LinkedIn, julguei válido contar minha curta carreira no delírio da utopia da sociedade sem classes, onde o Estado detém todos os meios de produção.É claro que algum purista vai discordar da definição, mas não temos espaço para satisfazer todos os discípulos do alemão barbudo.Minha meteórica carreira comunista começou quando entrei na UnB, em Brasília, e logo participei de uma greve, que foi um dos marcos no governo do General Geisel, que terminou com a universidade cercada por tanques e tropas fortemente armadas (06 de junho de 1977).Entre as dezenas de estudantes presos, estavam filhos de militares da alta patente, de ministros e de parlamentares da Arena, partido de apoio ao regime militar.Só não fui preso porque cheguei em Brasília, de volta de férias forçadas, no dia seguinte (07/06). Meu saudoso pai era senador, e já tinha sido comunicado que não era recomendável que eu frequentasse a embaixada da URSS.Após a greve, o conselho foi mais explícito: manda o seu filho para fora do país por algum tempo. Foi assim que terminei exilado na Alemanha por seis meses, fazendo estágio em uma fábrica de porcelana, e estudando alemão. Como troféus desse período, trouxe um exemplar do Capital, em alemão, além de livros de Mao e Che Guevara.O ponto de inflexão da curta carreira esquerdista começou a terminar quando visitei a fronteira das duas Alemanhas, separadas por uma cerca fortemente vigiada e por soldados armados, que tinha sido construída para proteger os alemães orientais das agressões dos ocidentais (sic!). Dois pontos me chamaram a atenção:- Localização da cerca: não estava exatamente na divisa, mas alguns metros dentro do território da DDR (Alemanha Oriental). Por quê? Para os comunistas poderem atirar nos eventuais fugitivos.- Parafusos: os parafusos que prendiam a cerca estavam do lado capitalista. Não deveriam estar do lado de lá, se era para proteção contra uma invasão?Anos depois, um amigo que foi prisioneiro político na DDR e foi comprado por 35.000 marcos pela Igreja Luterana, me contou mais detalhes do paraíso dos trabalhadores, que ruiu com a queda do Muro de Berlim.Você conhecia essas características da separação da Alemanha?  Será que algum saudosista vai dizer que o regime lá não era comunista ou que não teve tempo de se consolidar?#ismar becker #socialismo #ideologia #capitalismo #motivação #liberalismo #Alemanha

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